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MILLA PETRILLO — matilda — 2 de junho de 2017

UM OLHAR SOBRE O TRABALHO DA FOTÓGRAFA MILA PETRILLO

A fotógrafa foi a artista convidada no mês de abril para fazer artes inspiradas no Dia do Índio. Conheça mais sobre o trabalho dela.

Conheci Mila Petrillo em 1987, quando ela e Geraldinho Vieira, pai dos meus irmãos, começaram a namorar.

 

 

Vivíamos em Brasília e Mila era fotógrafa já conhecida na cidade.  Ela trabalhava no Correio Braziliense, um dos principais jornais locais, e cobria tudo que era evento cultural.  Eu adorava, portanto, quando meus irmãos tinham que visitar o pai e por consequência seríamos “obrigados” a acompanhar ela em um de seus trabalhos.  Nessas aventuras que fui pela primeira vez na coxia do Teatro Nacional, onde via bailarinos se arrumando para seus espetáculos e equipes cenotécnicas trabalhando em seus cenários.  Conheci muitos artistas com ela e todos sempre a amavam.

 

 

Osho

 

 

 

Mila Petrillo até hoje é referência em fotografia de espetáculos de dança e teatro e trabalha para as maiores escolas e grupos de dança do país.  A fotógrafa contabiliza em seu acervo mais de 400mil arquivos de fotos e reconhece que deve ter muito material que foi perdido pelos 40 anos de carreira.

 

 

( Foto para Galpão de Arte )

 

 

Além de seu olhar artístico e técnica exímia, Mila esbanja doçura e capacidade de acessar a confiança de quem a conhece. Esse talento parece ter sido sempre de muita valia em seus cliques.

 

 

( Foto para Projeto Axé )

 

 

A fotógrafa foi uma das principais pessoas a documentar o movimento de projetos sociais brasileiros que em sua maior parte transcorreram entre 1990-2010. Com esse trabalho publicou o livro

“Arte de Transformação”, que impressiona com suas 390 páginas de fotos. Entre as páginas vê-se repetidamente esse jogo de reflexos entre fotógrafa e sujeito.

 

Quando a Matilda.my me chamou para fazer ilustrações para o mês de abril inspiradas no Dia do Índio, imediatamente lembrei de uma série lindíssima que Mila fez numa viagem ao Xingu nos anos 1980 e resolvi pedir permissão para usá-la nesse trabalho. Talvez tenha sido a primeira vez que eu tenha visto um índio na vida, então as imagens me marcaram profundamente. Além de terem me impressionado muito enquanto criança, impressionaram muita gente mundo afora, e foram usadas em diversas ocasiões públicas importantes, como na última conferência do clima Rio +20, quando foram reproduzidas em um tamanho notável de 10 metros.

 

 

 

( Ilustração sobre foto de Mila Petrillo )

 

 

Encontrei Mila pouco tempo atrás e perguntei a ela o que tinha achado de minhas “interferências” em sua obra. Fiquei feliz demais em ouvir muitos elogios dela, que tinha adorado e achado tudo “muito lindo”. Foi bom ouvir isso, mesmo sabendo que não poderia ser diferente;  Mila Petrillo é amor.