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ilustres — matilda — 14 de setembro de 2018

COLA E CARINHO COM LUIZA DE ALEXANDRE

A jovem artista utiliza desenhos e colagens como extensão de seus pensamentos

Artista plástica, modelo, cantora e — como pedem os novos tempos — influenciadora de Instagram. Com apenas 20 anos, Luiza de Alexandre representa bem essa geração que faz várias coisas ao mesmo tempo, e que utiliza as redes sociais como ferramenta de autoexpressão.

Sua veia artística já se manifestava desde a infância, em Macaé, seja através de roupas ou de experimentações com fotos e imagens. Como sua mãe era dona de brechó, Luiza não perdia a oportunidade de desfilar por aí com os looks mais inusitados. “Na escola eu era a única que estava com gloss na boca e um cachecol rosa, sabe? Eu inventava muita coisa, colocava uma blusa em cima da outra. Depois comecei a mexer com foto, editar foto. Estava sempre permeando caminhos até encontrar o que eu queria mesmo”, conta.

Da colagem de roupas para a colagem de papéis foi um passo. Aos 15 anos, movida pelo tédio e inquietação da adolescência, ela começou a revirar revistas antigas e livros de escola que sua mãe usava para dar aulas de reforço para crianças.

Em pouco mais de um ano, o passatempo virou um projeto bem encorpado, intitulado Colinho. “Eu comecei a comprar papel bom para trabalhar e criei o Colinho. Eu via muito o trabalho da Colla GG e fiquei pensando num nome. Cola, carinho, colo…COLINHO! Pronto, fiz uma conta no Instagram e comecei a postar. E eu sou muito colinho, gosto de ter alguém do meu lado sempre, não gosto de ficar sozinha. É o que eu sou!”.

Super inventiva e cheia de ideias, Luiza nunca foi muito de definir temáticas para as suas obras. Seu processo de criação é bastante livre e intuitivo, mas podemos ver um interesse recorrente pela questão do corpo feminino. Além disso, há um desejo forte de se expressar através das cores.

Agora, ela tem ido cada vez mais para além do papel, criando colagens tridimensionais. “Eu fazia muita colagem no papel A4, depois passei pro A3. Agora eu tô amando colar pano, pedra, tudo que eu vejo pela frente. Depois que eu descobri uma substância que cola pedra, ninguém me segura!”.

E como ser fora do padrão nunca foi um problema para a artista, ela segue querendo ocupar espaços que antes não eram ocupados por pessoas iguais a ela, questionando a elitização do circuito de arte.

“A gente pode fazer coisa escrachada, coisa suja, e é isso o que nós, artistas independentes, temos feito. Eu quero crescer com essa arte não higienizada, não perfeita. Tomara que alguém compre! Mas se eu estiver fazendo só pra mim, ótimo também!”

No vídeo, conheça mais sobre Luiza de Alexandre, a artista que ilustra o mês de setembro e o mês de outubro da Matilda nas redes sociais, e que se prepara para uma exposição individual na nossa casa. Play!