Durante todo o mês de fevereiro, a equipe Matilda saiu às ruas de São Paulo para colher a opinião de GENTES sobre os questionamentos acima. O resultado, como era de se esperar, foi tão diverso quanto a diversidade de pessoas com quem conversamos.

A ideia era deixar os entrevistados livres para falar o que bem entendessem. Alguns foram categóricos em afirmar que a publicidade é para poucos, outros não veem como é possível existir um mundo sem propaganda, e teve ainda aqueles que nem sequer sabiam direito do que estávamos falando. Como parte da nossa empreitada, todas as opiniões foram ouvidas e assimiladas como forma de aprendizagem. E que aprendizado!

A conclusão a que chegamos? Não há conclusões. Nem as pesquisas mais acuradas são capazes de dar conta das nuances que fazem com que cada ser humano seja único. E estamos longe de ter essa pretensão.

O que queremos com esses depoimentos (que foram postados nas nossas redes sociais ao longo do mês e, agora, compilados aqui) é oferecer uma reflexão e, sobretudo, um pequeno retrato do que são as GENTES. Sem caixinhas, sem filtros e com o coração aberto.

 

Isabella, 18 anos, estudante

“Geralmente não me vejo na publicidade. Mas se for parar pra pensar, eu sou branca e magra, então acabo sendo mais representada que a maioria das pessoas. Pra mim é muito mais fácil por estar dentro de um padrão.

Mas se eu fosse uma publicidade? Eu tentaria fazer algo que não dissesse respeito só a mim…”

“Acredito que a publicidade pode, sim, trazer benefícios à sociedade. O que vejo é que a publicidade entra no seu subconsciente, e que você acaba mudando a sua forma de pensar influenciado por ela. E isso tem que ser usado de uma maneira positiva. Como a Avon, por exemplo, que fez aquela propaganda com um casal homossexual. Isso é legal porque conscientiza as pessoas e fazem elas mudarem de opinião sobre uma questão social importante.”

Zé Mariano Júnior, 59 anos, e Rosmarino, 57, dupla de cantores sertanejos paranaenses

“Não vejo benefício quando a publicidade faz as pessoas consumirem sem pensar. Mas a publicidade de
um sindicato ou posto de saúde, por exemplo, é importante”.

[Zé Mariano]

“Ah, mas a publicidade dos produtos que a gente consome também é importante. Se tem um calçado barato numa loja, por exemplo, como eu vou ficar sabendo se não tiver propaganda?”. [Rosmarino]

Eleni, 38 anos, tricoteira e trabalhadora autônoma

“A publicidade representa divulgação, conhecimento. Tudo é publicidade, e ela é importante para a divulgação do meu trabalho e o trabalho dos outros”.

“Se eu fosse uma publicidade? Eu seria bem colorida e diversificada para abranger a todos.”

Peterson La Plata, 29 anos, dono de marca de streetwear

“A publicidade só beneficia quem já é beneficiado, que são as grandes marcas e instituições.Se dependesse de mim, a publicidade seria mais digna e feita pra todo mundo. Eu ajudaria muita gente, da mesma forma que fui ajudado”

Dona Lenita, 83 anos, ex-professora de música para crianças

“Você fica a par de tanta coisa graças à publicidade…inclusive sobre política. Então acho que ela traz benefícios para a sociedade, sim. Se eu fosse uma publicidade, eu seria bem comunicativa, porque eu converso com todo mundo. Eu sou muito curiosa. Espero muito da publicidade, mas…

Kim, 26 anos, e Leandro, 29, namorados que trabalham em cruzeiros

“Acho que, no geral, o que vemos são as pessoas tentando se adequar à publicidade, e não o contrário. Se nós fôssemos uma publicidade, tentaríamos abranger o máximo de pessoas possível, seríamos uma publicidade-camaleão, que muda e se adapta ao consumidor. O mundo sem publicidade…

Stephanie, 20 anos, professora de educação infantil

“Não me vejo na publicidade porque sou asiática. Além disso, estou fora do padrão de beleza que cultua a magreza, então sou duplamente NÃO representada! Se eu fosse uma publicidade, eu seria bem colorida, alegre e muito mais diversa”.

José Benício, 60 anos, artista de teatro alagoano

“O mundo sem publicidade seria pior, né? Sem comunicação. Mas claro que eu estou falando de publicidade ‘do bem’, não aquelas enganosas. Se eu fosse uma publicidade, eu ajudaria o povo, a grande massa”.

Felipe, 27 anos, instrutor de academia

“Acho que a publicidade não abrange todo mundo, ela foca mais nas classes média e alta. Já o meu biótipo é bem representado, mas tem marcas que não gostam de caras tatuados, por exemplo. Mesmo com tudo isso, não consigo imaginar o mundo sem publicidade, porque como você faria para as pessoas saberem sobre o seu produto?”

Daiana, 30 anos, formada em marketing com atuação na área comercial

“A publicidade te induz ao consumo. Às vezes, você nem precisa de um determinado produto, mas a propaganda chama tanto a sua atenção que você vai lá e compra”.

– E pra você, o que a publicidade representa?

Fotos: Juliana Kümmer